sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Matemática Existencial

Sempre fui menos
que o mais que eu tenho.
Sempre fui mais
que o que ficou pra trás.

Meu empenho em te amar,
meu vício em cantar,
fumar, lembrar e beber,
e o que me falta é entender:

Se tão bem posso amar,
como não posso ensinar?
Talvez um dia,
tudo o que eu queria...

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Asphyxia

Now that it rains for three days
And now that you're away,
Can't breath today,
Can't find my way...

Clouds in the sky,
Couldn't cry...
Three days to find
What now isn't mine...

And now that you're gone,
Now that I'm alone,
All that I feel
Is the pain that still...

Sobre a distância (em seus dois sentidos)

Não me encontro aqui,
Sem você por perto...
Quero até fugir,
Deixar tudo em aberto...

Só me encontro em você,
Mas você não se encontra...
Sinto vontade de correr
E você faz-de-conta...

Saudade, vontade e amor,
Tudo na mesma cor,
Sem dor...

Aparência, coincidência e demora,
Tudo na mesma hora,
E até agora...

Ansiedade noturna

E se triste eu ficar,
O que vai mudar?
E se, no fundo, é só você que eu quero,
O que eu espero?

Numa noite qualquer,
Faço o que puder...
O álcool e algo mais,
O que tem demais?
Mas sem você, o que fazer?

Já me basta a discussão,
Já me falta a razão,
Já não bate o coração...

sábado, 10 de julho de 2010

Os dois melhores beijos

Onde está você?
Meus olhos já não podem ver...
A luz que me cega fez a noite morrer,

sem antes eu saber...

Você pode me ouvir?
Pois sem isso eu não posso sorrir...
O vento e o meu medo de cair

não me fazem desistir...

Meu tédio passado,

minha ansiedade atual,
minha futura tristeza,
com certeza,
e você...
Por quê?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nada que se possa ver

Falo e vejo,
Nada sigo...
Coisas a se pensar,
Mas nem penso...

Inspirações eternas e fugazes,
Inintendíveis e inexplicáveis...
Simples e claro,
Comum, não raro...

A tinta veste o papel...
Suaves e inquietas,
Palavras nada discretas...

Nada nas entrelinhas...
Nunca há de se entender...
Acabo por nada ver e nada dizer...

Sobre o medo

De fraquezas faço charme
pra te conquistar...
Da insegurança o medo
de perder e voltar a viver...

E se digo que te amo
é pra te prender, sem querer,
e, mesmo assim,
Estou pronto pra sentar e ouvir
Que tudo o que foi não mais será,
Que seguindo assim você nada encontrará...

Que ninguém há de ganhar
se o medo é perder,
De tanto banalisar
a vontade de querer,
Sem saber e sem poder,
Sabendo nada do que é prever...

Porque querer e amar
estão para achar ou encontrar,
Assim como eu estou para você
e você não está para mim...

Maldade

Que deslealdade em me apaixonar...
Essa é a sina que mantenho...
Sempre me proibo de amar,
Mas nem eu mais me contenho...

Mas ela, embora dele, tanto me vale,
Ainda que o destino me atrapalhe...
Mais vale a dor que a amizade
E nem me julgo de maldade...

Que maldade há no tempo,
Que passa e permanece assim...
Para ele, não para ela...
Para ela, não para mim...

Não abra os olhos

O cinza quebra minhas retinas...
A primeira cor amarga que conheço...
Somente formas retilíneas...
Nunca vi beleza nisso, desde o começo...

Não sei colorir,
Mas coloriram por mim...
Gostaria de interferir
Pra continuar vivo assim...

Predição do Contra-Oráculo

Ateu é quem não tem nada.
Nada além da liberdade...
Mas como não tem nada
Se há liberdade?!
E se ser livre é pecar,
O seu deus não é assim tão bondoso...

E que vantagem há em desfrutar do paraíso?
O paraíso é uma prisão em chamas...
Chamas bem mais quentes e crúeis que o inferno...

Inferno é o nosso lar...
Lar de tanta hipocrisia...
Hipocrisia moralista...
Hipocrisia egoísta...
Egoísmo de querer o Céu pra si só...
E inveja... Inveja de nós que somos livres...

A religião é um zumbi,
Que come cérebros e vomita ignorância...

Bendito seja aquele que renegar à palavra de ordem!
Bendito seja aquele que não for imortal!
Bendito seja aquele que não for bendito!

Ilusionismo Involuntário

Esse não sou eu...
Esse que você vê...
Não poderia ser...
Eu me nego a aceitar,
Embora seja por minha vontade
E por pura vaidade...

Nem eu mesmo me conheço mais...
Eu me escondi dentro de carne e sangue
Que não me pertencem...
Nada me pertence...

Quem sou eu?
Seria eu o que vejo?
Seria eu o que desejo?
Não sei mais, tanto faz...