quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Impossibilidade

Do que há de bom,
nada há de se escrever,
nem de se observar.

Nenhum dom
há de se ver
no contemplar.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Penny Lane

Sabor de água
e vinho,
e, ao cessar repentinamente,
quase mágoa
(mas só um pouquinho).

Toques fantasticamente sensuais,
erros frequentemente casuais.

Palavras quase inexistem,
dois seres coexistem,
mas quase se compreendem.

Outra mais velha que uma,
quase sem resistência alguma,
morde tais lábios.

Mais que atração,
que amor, menos,
quase sem nome,
mas eu chamo paixão.

No nome seu que quase sei,
a lembrança que então esperei
deixar de esquecê-la:
Dani(ele ou ela).

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

A água e a terra onde Jesus foi batizado estão à venda

Deus não existe,
homem fica triste.
Jesus crucificado,
homem adestrado.

Palavra sagrada
como instinto de sobrevivência.
Menos que nada,
mais que malevolência...

Contra essa ignorância,
não há armas
além da distância...

Viva a periferia
desse carma:
Autonomia.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Antrofobia

Sangue humano em minhas mãos...
Sensação agradável, não?
 

Pequeno como um grão,
no meio da multidão,
disseminando a podridão
de toda a alienação.

Ódio e rancor
resultantes da dor
de não querer
a essa espécie pertencer.

Desejo de extinção
e não é em vão...

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Metalinguística da Despadronização

De quase tudo hei de falar,
até do meu próprio ser,
do que hei de fazer
e até do que não gostar.

Vocabulário de ótica,
ortografia formal,
gramática caótica,
temática mortal.

Das letras, palavras arrogantes.
Das palavras, descrições incompletas.
Das descrições, mensagens errantes.
Das mensagens, a falha concreta:

Errar
todas as versões
do que se quer falar...

Tentar
todas as sensações
em versos expressar...

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Morte Lenta

O amor é tudo, mas nem tudo é amor...
De qualquer coisa, por você, eu desistiria...
Não te ter aqui é o teu favor,
te ver partir eu não suportaria...

Você me deu sua insegurança
num quase desinteresse...
O que hoje é minha lembrança,
é só o que perdeste...

Você não mais me vê,
não aguento mais morrer,
mas o que posso eu fazer?

Você é mais do que eu posso ter,
não além do meu querer,
querer e não poder...

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Ciência dos Moradores

Sei exatamente como me enganar,
mas preciso ver até onde isso pode chegar...

E se o que há de mais em mim
é o mesmo que ninguém quer, o que há de ruim,
continuarei assim,

Pois, por melhor que seja a ilusão,
é na realidade que há sensação.
É só passando por isso que se chega a algum lugar,
ainda que não exista o "chegar",

Porque chegar é acabar,
e ninguém quer o fim...

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Sobre o capital

Existência temporal,
razão vital,
noção fatal...

Na manga, o ás,
apetite voraz,
tempo fugaz...

A cada segundo,
fim do mundo,
mundo imundo...

Da curiosidade à repulsão,
da intensidade à reclusão,
existência em vão...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Nascimento da morte

De ti pego o que há de ruim,
guardo dentro de mim,
pra te curar,
por te amar...

A vergonha do pseudo-cansaço
e, do verdadeiro cansaço, a dor...
Vinte analgésicos em maço,
um só sabor...

Vontade de beber,
morrer ou te ver,
algo assim,
talvez infantil, talvez ruim...

Por mais que a cura encontrasses,
que cura tenho eu?
O que em ti hoje nasce,
em mim, morreu...

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ambiguidade Fótica

Toda essa luz, toda essa ilusão,
tudo leva à escuridão...
Nas jovens almas,
nas tardes calmas...

Tanta vida, tanto escuro,
juventude sem futuro...
Só mais uma parte do sistema,
gangrena pura, mal sem cura...

Jovens feridos,
amigos deprimidos,
amigos comprimidos...

Tanta luz, ilusão...
Alienação e morte
na televisão...