quinta-feira, 27 de junho de 2013

Epistemologia do amor

Desde o dia em que te conheci,
soube que sobre mim reinava o amor.
Desde então, sei, não me convenci,
pois já deleitava de teu esplendor...

Quantas vezes você me salvou
de me afogar no meu próprio sangue em vão?
Quantas vezes, em vão, eu me joguei ao chão,
e, ainda assim, você voltou?

Eu te faria todas as propostas loucas
que tenho perfeitamente
arranjadas em minha mente,
se achasse que você aceitaria...

Toda lágrima que no papel caía
era como perfeição, exatamente
como foi destinado à gente
(e não foram poucas)...

E, se a vida não é justa,
por que pelos meus erros eu tenho que pagar?
Vale quanto custa,
custe o que custar...

Eu nasci no verão
e você no inverno...
Não há de ser em vão
um sentimento de tamanho eterno.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Memórias materiais abstratas

Andar por esse lugar me lembra você...
Cada esquina, um história (que não aconteceu)...
Sem saber o que foi real, sem saber o porquê,
na incerteza do que é e do que há de ser...

Como um passeio no passado,
sossego sufocado,
amor amargurado,
sem você ao meu lado...

Tudo mudou,
mas nada aconteceu,
quanto menos acabou...

O que sobrou,
sozinho, sou eu,
como você também ficou...

terça-feira, 18 de junho de 2013

Soneto à boemia

Essa noite, vou ver meus amigos...
Beber num novo bar antigo,
na rua, procurar abrigo...

Vamos falar sobre a existência,
sobre azar e sorte...
Vamos falar sobre a resistência,
sobre a vida e a morte...

Fazer o que não querem que façamos,
sabendo que ninguém anda por onde andamos
e que é proibido usar o que usamos...
Afinal, embora subversivos, somos seres humanos...

Essa noite, vou te esquecer...
Nem sei bem como vai ser,
mas sei exatamente o que fazer...

sábado, 1 de junho de 2013

Extremidades da ilusão

Você se perde em pensamentos
e eu em sentimentos...
Enquanto eu me lamento,
você espera o momento...
E quando eu já não aguento,
quando os sonhos são sangrentos,
incrivelmente reais e desesperadores,
cheios de belezas e temores,
de melancolias e horrores,
de nostalgias e amores,
você me faz feliz,
mas só em sua mente,
como eu mesmo fiz,
mas de um jeito diferente:
sem ter o que eu quis,
mas tendo que seguir em frente...