terça-feira, 28 de outubro de 2014

Eu quero o seu olhar, mas não quero que você me veja

Eu sempre quero amor e até dou o que tenho...
Mas tenho medo de ganhar, de não merecer.
Eu odeio mérito,
mas a culpa sempre vem com qualquer amor que venha a mim.
O amor é entrega, não troca, eu sei...
Mas, de tão puro, me faz sujo.
Meu olhar é seu esboço.
Meu toque é um pecado.
Meu sorriso é uma ofensa.

Eu posso ser grande,
mas, perto do amor, sou pequeno.

sábado, 16 de agosto de 2014

Fogo

A vida não é assim tão dura,
nem o que todo o mundo diz,
quanto menos o que eu não quis.

Não adianta ganhar o jogo
e não jogar mais.
Se o que importa é o fogo,
apagar e ascender são iguais.

E, se tudo é loucura pura,
o que é um livro sem rasura?
Só me arrependo do que não fiz.

Se eu morrer de loucura,
certamente morro feliz.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Daydream

Quando desperto, não sei se estou aqui...
Se eu pulo da janela, não sei se acordo ou se morro...

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Quinta-feira

Eu sou inconsequente, no pior sentido...
Eu queria que você estivesse aqui
para que eu não precisasse dizer isso tudo,
para que eu me calasse satisfeito só de te olhar nos olhos
e para que a garganta desse um nó, não mais de angústia, mas de admiração.
Eu sou egoísta, no pior sentido...

Eu queria saber sentir e falar com respeito,
saber ver e aproveitar tudo o que eu adimiro,
sem essa angústia,
sem essa doença...

Não existe "era pra ser assim"!
As coisas são como são.
Exclusivamente como poderiam ser.
Exclusivamente...
E, quando não eram, quem fez com que fossem fui eu...

Agora, eu não quero mais ver ninguém
e quanto menos gente eu vejo, menos eu pareço existir...
E, se eu apareço uma vez por semana,
a semana vai se tornar muito longa,
mais do que já é...
Mas a vida continua curta...

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Love is not like anything (specially a fuckin' knife)

Eu nunca me satisfiz com o que eu tive.
Nem quando eu estive mais perto do que eu queria.
Os desejos diminuem à medida em que as insatisfações aumentam,
à medida em que eu me distancio do sucesso.
Inevitável,
como esses desejos e insatisfações...

Eu não consigo mais ganhar dinheiro,
porque minha mente já passou...

Eu não preciso mais mostrar a identidade,
porque a juventude envelheceu...

Eu não quero mais sair,
porque eu não sei mais convencer as pessoas e nem ser convencido...

Eu não posso mais falar com você,
porque fui eu quem te colocou longe de mim...

Meus sentidos ecoam você,
mas minha mente só diz culpa...

Eu não tenho o direito.
Eu não te mereço...
... Mas isso eu mereço.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

(In)Segurança (in)cômoda

Eu sou culpado pela minha culpa
que eu roubo de você, de assalto,
em cada verso, pezar ou pedido...

Eu tenho vontade de perguntar como está você,
tenho vontade de me entregar
e de pedir desculpas...
Mas eu sei que não há como perdoar...

Me tira o ar respirar...
Eu perdi o melhor de nós:
você.

Se essa energia não existisse,
se não estalasse a cada aproximação...
Mas nos prendemos à incômoda segurança da distância...
É tão inevitável que se faz necessário...

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Dawn

Tem uma vontade que eu me esqueço de satisfazer.
Eu sempre me lembro antes de dormir, mas nunca a tempo.
Nunca entendo e sempre sinto essa saudade daquela sensação.
Aquela saudade dessa meia luz da meia-noite, em uma daquelas mesas ou num balcão.

O frio da manhã não parece o da rua.
A rua de ontem se parece com a de dois anos atrás...
Mas eu só conto anos quando escrevo.
Senão, era ontem. Ou anteontem:
Eu ainda não dormi, mas já está claro
e hoje é um novo dia.
Eu não dormi, mas já está claro...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Running away into you

Eu criei uma rota de fuga, um esconderijo pro meu medo.
Um lugar pra colocar meus pensamentos e sentimentos,
pra não ter que ver e viver o resto.

Mas eu me perdi, em meio a tanta segurança...
Eu me esqueci de como os dias eram iguais e eram números.
De como as pessoas eram iguais e eram números.
De como as calçadas, ruas e bares eram iguais e eram números.
Eu fuji de tudo que eu não queria ver,
de tudo que eu não entendia,
de tudo que não era eu.

Eu não sinto falta da minha companhia favorita,
mas de ser a companhia favorita,
de ser único e incomparável, em qualquer comparação.
Talvez eu tenha encontrado o caminho mais difícil...
Mas certamente o único capaz de me provar a mim mesmo.

Isso tudo não importava tanto,
e eu não me lembro o porquê...
Não importava na noite
e, por vezes, nem numa quinta-feira à tarde...

Criamos verdades pra provar que a verdade não existe.
Criamos o caos da existência pra matar o tédio
e, talvez, a nós mesmos...

Mas, bem como isso tudo não faz agora sentido pra você,
não fará pra mim amanhã.
E, até lá, isso é o que eu tenho a dizer...

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Estrelinha

Eu não queria dormir.
Eu não queria que a noite acabasse,
que o alvorecer passasse...
Mas as memórias são a vida de um novo dia.

Nada é pra sempre, a não ser tudo.
São essas idéias loucas da nossa mente normal,
da nossa vida careta, com cócegas na alma.
É como jogar a televisão pela janela,
o sangue com vida própria,
as cores entre o marrom e o verde,
o azul na faca e o som cor-de-rosa.
É como entender tudo, sem entender nada.
Nada é pra sempre, a não ser nós.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Nós

No começo, era tudo impulsivo.
A gente podia esperar qualquer coisa um do outro,
mesmo sentindo que aquilo não era só mais um encontro casual.
A gente sabia que era muito mais,
mesmo que, talvez, de forma diferente.

Na verdade, eu já sabia exatamente o que era, no momento que senti,
mas não sei como foi com você.
Tudo se tornou tão surreal naquela época...
E acho que em todas as outras em que estivemos juntos...

Aquele dezoito de setembro mudou tudo...
Eu me lembro como se fosse ontem,
mas a lembrança é como um sonho...
E no dia também foi,
e eu achei que tudo tivesse se resolvido...
Talvez tudo tenha se resolvido, na verdade...
O sonho dura até hoje...
De certa forma, nós somos os mesmos até hoje:
eu continuo sem saber de nós,
você continua sem falar de nós.

E eu ainda acredito que pode dar certo, talvez mais do que nunca.
E eu ainda espero que seja verdade que nunca iremos nos separar...

segunda-feira, 31 de março de 2014

Late dawns and early sunsets

Quanto mais tempo a gente tem?
Eu receio que não o bastante.
Nunca seria o bastante...

Eu desenhei esses dias durante anos
e, agora, eu tenho medo que termine.
Eu tenho medo de diluir a sensação
na distância de estar perto de você...

Essa é a melhor época da minha vida
e eu não sei o que está acontecendo...
Eu a entregaria a você, sem exitar,
mas o que isso pode fazer à gente?

Eu não suportaria o dia que você for embora,
mas um dia você vai, eu temo...
E nós estaremos em mundos diferentes...
Mas em que mundo eu poderia viver assim?
Como eu poderia não ter os seus olhos de 'bom dia'
ou seu calor de 'boa noite'?

O coração agora é dois.
Ainda é sobre ganhar,
mas é, também, sobre não perder...

quinta-feira, 27 de março de 2014

Sharing a bed

I should give you the chance to miss me...
But you're never alone...
Just like me. Just like no one...

We could be together...
And we are, in a way...
I'm glad we are. I'm sad we're not...

Maybe it's me, maybe it's you.
Maybe it's everything...

Maybe it's the fate (if there's one):
I'll be like you,
you'll be like me,
and we'll be impossible to each other...
 

But we are together anyway...

quarta-feira, 26 de março de 2014

Não é coisa da minha cabeça

O problema não é estar sozinho, quanto menos não estar sozinho.
Talvez não seja nem um problema, só... algo...
Uma sensação estranha, não sei se boa ou ruim, mas um tanto quanto paranóica,
que vem do fundo da alma... ou do fígado...
É uma pseudo-vulnerabilidade. Um medo de situações impossíveis ou inexistentes.
Soa ruim, mas não se sente assim...
É a alteração da consciência e do físico, a curto e a longo prazo.
As substâncias, as pessoas, as situações, as sensações... tudo são idéias.
Tudo é descrição, não simplismente inexata, mas absurda, totalmente desconexa do inexplicável.
Mas os dias e as noites são felizes, hoje em dia.
Soa surreal... e também se sente assim...
A surrealidade de ter momentos únicos e marcantes eternizados, nos limites da vida, todos os dias.
Eu poderia explicar, mas eu não conseguiria passar a sensação. Mas eu não preciso explicar... Quem precisa, entende, e isso é o bastante.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O tempo do dia

Eu não sei o que o meu dia guarda
quando meu dia começa...
Quando meu dia começa?

Café é bom, mas não é "bom dia",
a não ser quando se está sozinho...
Mas meu dia não começa sozinho.
Meu dia começa com o sol, com sono
e aquela sensação de ter esquecido alguma coisa...

Que horas são?
Que dia da semana é?
Que dia do mês?
Mas meu dia não começa com perguntas...
Às vezes, começa à noite,
mas, no geral, acaba...

Desses vinte anos, alguns foram feitos pra mim, sim.
E, dos outros, eu nem me lembro...

Eu não sei de hoje e nem de amanhã,
mas esse ano vai ser longo...
Acaba semana que vem.

sábado, 8 de março de 2014

Medicine

Hoje em dia, em dias assim,
eu não aguento mais ninguém...
Se aguento, não escuto.
Se escuto, não aguento.

Nessas noites, eu não vejo esperança
nas pessoas, nas ruas, nem pra fora...
Eu espero, desespero e me canso...

Quando o sol se põe, eu fico observando
as cores, as formas, até as ruas...
É como nostalgia, mas menos prazeroso...

Eu me perco, começo a correr
e, quando eu estou pra morrer,
minha dose diária de você
é o que me faz sobreviver.

terça-feira, 4 de março de 2014

Você não precisa me perdoar...

Talvez seja responsabilidade demais pra qualquer pessoa
ser tudo na vida de alguém...
Mas sozinho eu sei,
sei que sozinho eu não estou,
que você, de certa forma, ainda está aqui...
Ou sou só eu?

Eu não vou embora...
Não vou te deixar pra fora de mim,
me deixar fora daqui, fora de mim...

O seu medo de me magoar
me deu medo de pensar,
vontade de te abraçar
e chorar...

Isso me fez pensar
em quanto eu posso te machucar
e quanto você pode me curar...

Sendo assim,
a culpa é de quem?

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

I need more than apologies

Estou pensando em paz,
achando que sobrou...
Eu tinha uma história
do que não aconteceu,
na qual eu ficava assim,
a me render...

Minha cabeça ficava bem acima do meu pescoço.
Hoje, ela está presa à minha coluna...
Eu sentia. Agora, escuto...
Não guardo muito.
Não quero um futuro que já acabou...

Meu Deus se perdeu, se vendeu...
Barato. Frustrado. Sozinho na multidão.
A dor de cabeça pelo menos dava sentido à vida...
Perdidos os sentidos. Perdida a vida.

É como ressucitar,
mas sem expectativas...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Cadáveres imortais

Quem analisa o analista?
Tem nome na lista?
Se tiver, paga meia.
Se tiver meia, calça o tênis.
Se jogar tênis, é playboy e não pode usar calça.
Calçada é lugar de pobre.
Pobre é de luta.
Luta e luto.
Luto, em luto, pela luta.
Nem luto mais.
Nem muito mais.
Mas nem muito é muito.
É pouco e é bastante,
mas, se basta, não é muito.
Quem é analista de quem?
Quem é quem?
O que é ninguém?
Alguém?
Se alguém é ninguém,
se ninguém é nada,
se nada é nada,
tudo é nada,
nada é tudo
e nós somos cadáveres imortais.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Mas crianças não se preocupam...

Me ensinaram, mas eu não aprendi a crescer.
Eu não aprendi a me vender por comida,
nem a comprar...
Eu não sei dizer "bom dia" pra mim mesmo,
não sei mentir...
Eu sei amar, sei querer, mas não sei da maldade,
não aprendi a desistir...

Eu choro, eu grito, eu corro,
não sei pra onde, não sei por onde...
Eu tenho medo, eu não conheço as pessoas
e corro pra perto da minha mãe...
Mas nem minha mãe está mais aqui...

Eu, sozinho em casa, ainda acordo procurando alguém,
procurando resposta, procurando abrigo...
Mas não encontro ninguém, não entendo nada,
fujo, em desespero, fico olhando por todo lado,
como uma criança perdida no supermercado...

sábado, 1 de fevereiro de 2014

21

Vem de fora. Vem de dentro. Tudo isso, isso tudo...
Agora, é sempre igual, é banal,
mas me arrepia, me quebra...
Abre os olhos e fecha o mundo...

Cada primeiro dia da semana, cada segundo,
fugindo da realidade, procurando um mundo real,
um real pra comprar dois cigarros,
pra comprar dez minutos...

Passo um café. Passo em falso...
Entrego o dia à noite e, à noite, perco a fé,
perco o sono e penso nisso tudo, em tudo isso...
Vem de dentro. Vem de fora. Vendi tudo...